Jefferson SantanaPensamento executivo
Reflexão

Modernizar por modernizar não faz sentido

Durante uma grande fusão, a gente tinha um problema bastante concreto.

Uma operação muito maior precisaria rodar em cima de um sistema legado com mais de 15 anos.

E aí vem quase naturalmente a discussão: vamos modernizar, refatorar, desacoplar, substituir o legado.

Eu fui por outro caminho.

Porque, antes de discutir tecnologia, tinha uma variável que para mim era o muro: tempo.

A fusão tinha prazo para acontecer.

Eu poderia partir para uma modernização ampla? Poderia.

Mas quanto tempo isso levaria?

E, principalmente, qual problema do negócio eu resolveria naquele momento?

Num sistema daquele tamanho, uma modernização mais ampla poderia levar anos. Então não fazia sentido colocar a estratégia da empresa dependendo disso.

Partimos de uma premissa mais pragmática.

Aquele sistema tinha fragilidades, obviamente. Mas também era um sistema que estava operando há muitos anos e tinha trazido a empresa até ali.

Então vamos entender até onde conseguimos levá-lo.

A estratégia acabou ficando em três frentes: aumento de capacidade computacional, tuning do código existente e refatoração onde efetivamente fosse necessário.

E foi isso que fizemos.

Não saímos condenando o legado inteiro.

Onde capacidade resolvia, colocamos capacidade.

Onde havia oportunidade de otimização, fizemos tuning.

E onde identificamos que o problema era estrutural e não suportaria a escala que viria, aí sim partimos para refatoração.

Funcionou.

E isso reforçou bastante uma forma como eu penso modernização até hoje.

Eu não modernizo porque uma tecnologia é velha. Eu modernizo porque existe um problema ou uma oportunidade de negócio que justifica fazer isso.

Pode ser risco.

Pode ser escala.

Pode ser estabilidade.

Pode ser uma nova capacidade que a empresa precisa ter.

Pode ser porque aquela arquitetura passou a limitar a estratégia.

Obsolescência tecnológica é uma variável importante, claro.

Mas modernizar por modernizar, para mim, não faz sentido.

Porque no final do dia você está colocando dinheiro, tempo e capacidade da organização naquela decisão.

Então eu prefiro começar por outra pergunta:

qual problema do negócio eu quero resolver?

Depois a gente discute se a resposta é modernização, tuning, capacidade ou outra coisa.